Tudo Mudou
sábado, 24 de maio de 2014
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
EXTRATO ORTOPOÉTICO
EXTRATO ORTOPOÉTICO
Teoria Literária #039
TL: O
que é um Extrato
Ortopoético?
PBE: Extrato
Ortopoético
é mais uma criação do Poeta Bosco Esmeraldo, baseada
ou uma variação do já existente Extrato
Pó Ético.
Este vem homenagear os Poetas e Poetisas Acrosticistas, em especial
Fernanda Xerez e Angélica Gouvea, exímias nesta arte vertical, por
isso “ 'orto' = vertical; 'acros' = topo, cabeça, início”.
TL: Como
se procede?
PBE: Muito
simples. Segue a estrofação, métrica e rímica do Extrato Pó
Ético, ou seja:
- 7,7 (ABBAACcDd);
- 5,5 (EffGGE);
- 5,5 (HIHIH);
- 7,7 (JKLLKJMm);
- Onde:
- 7,7 = Estrofe de sete versos com versos de sete sílabas;
- 5,5 = Estrofe de cinco versos com versos cinco sílabas.
- Cc, Dc, Mm = versos onde ocorrem rimas internas, assonâncias ou aliteração. Ou seja, rima, repetição de sons ou proximidade sonona.
TL: E
onde entra o acróstico nisto aqui?
PBE: Não
é acróstico, propriamente dito, mas um provérbio, pensamento ou
frase, de preferência original, escrita ortogonalmente, ou seja, na
vertical, seccionada em sílabas que se tornam o início de cada
verso. Veja exemplo no final.
TL: Só
isso e mais nada?
PBE: Só
mais duas coisas importantes.
- O desenvolvimento do Ortopoético deve estar totalmente em consonância, de acordo com o sentido do provérbio ou frase vertical.
- No final, deve-se destacar “entre aspas” o provérbio ou frase devidamente pontuado.
TL: Não
acha isso tudo um tanto complicado?
PBE: Complicado,
para mim, é não tentar e achar complicado. Tudo pode parecer
difícil enquanto não se tenta fazer. Depois que experimentamos,
vemos que nem eé como achávamos que seria. Assim, perdemos boas
experiências. Assim, incentivo tentar, antes de desistir pela
aparente dificuldade. Aliás, o autor está sempre à disposição,
bem acessível para ensinar ou esclarecer qualquer dúvida.
TL: O
que mais diria ao leitor?
PBE: Tente,
pelo menos um. Verá que não assim tão difícil o quanto possa
parecer. Espero ler você nessa nova maneira de escrever.
Exemplo:
O
AMOR, DOM FULGENTE
Ortopoético
#001:
DE
uma coisa, com certeza
QUE
isto faz valer a pena,
VAloriza,
força plena,
LEvanta
a informe beleza,
ASsume
o bem com destreza,
SIMplifica,
melhor fica,
SERvindo
e mais, compartindo.
PAdecer,
jamais!
CIdadãos
se dão,
ENtre
si cooperam,
CIentes
co-lideram
Amando-se
mais.
SER
bem melhor devo,
COM
os demais partir,
PASsar
bem, o enlevo,
SIálico
compartir,
VOborde
relevo.
NO
mínimo,
ser prudente,
MIgar
com o próximo os bens.
Nimbosa
auréola do ente,
MOção
em favor do doente.
PRU
mado
no amor (parabéns!).
DENde
a afeição comovente,
TE
revele,
enleva
e releva.
É
grato
servir, dom fulgente!
*
* *
“De
que vale assim viver? Paciência! Ser compassivo, no mínimo,
prudente é!”
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
SENTINDO DEMAIS SAUDADES
SENTINDO DEMAIS SAUDADES
(Nas vésperas da partida de nossos filhos e netinhas)
Extrato
Pó Ético #068:
Hoje
nós nos divertimos!
De
novo me fiz qual criança,
Até
onde a energia alcança,
cada
segundo investimos,
brincar,
rodar, repetimos
e
então, cantamos, dançamos,
nós,
nossas diletas netas.
Vovô!,
faz de novo!
Cansar?
Nem pensar!
Fiz-lhes
cataventos,
fomos
buscar ventos,
Minhas
forças em renovo...
_
Vovó, vem brincar!
Lagarta
Pintada,
Ei,
Vovô, vem cá!
Pisa
Pilão e cada
vai
se trocar.
_
Quelo ser Vovó agola,
_
Eu quelo fazer tapioca,
quelo
passar bem manteiga!
Nos
falam com voz tão meiga,
conquista
e bem fundo toca,
no
chão vem brincar de bola.
São
tão puras! Que candura!
Saudades
que enchem m'a teiga.
************************
Significado de Teiga
s.f. Espécie de cesto de palha.
Antiga medida para sólidos.
************************
Fonte:http://www.dicio.com.br/teiga/
sábado, 5 de outubro de 2013
CORAL ORNITOSSÔNICO DE PONTE ALTA
CORAL
ORNITOSSÔNICO DE PONTE ALTA
Conto
Nublar #081
Quem me conhece sabe de
minha paixão por música desde minha mais tenra idade.
É verdade! Consigo
tirar música até do mais profundo silêncio, quer dormindo, quer
acordado. Coisa de louco? Talvez, mas prefiro dizer “Coisa de
músico”, mesmo. Alguém já brincou comigo, dizendo que eu
dançaria até discurso, dado o meu gosto por música e dança.
Guardado certo exagero, não estavam, ao todo, errados.
Quando não estou
fazendo música, certamente estou pensando em música, em alguma
coisa a ela relacionada. Diferentemente de certos sítios políticos,
aqui nunca termina em pizza, certamente ou termina em música ou
poesia.
Hoje, o
sol quase não marcou presença aqui em Ponte Alta. Passei o dia
agasalhado, curtindo a brisa que soprava agradavelmente a 20º. Após
o almoço, minha esposa me chamou para ver a cerração que se
avizinhava já a um quarteirão de nós. Não longe daqui, ouvia o
canto dos passarinhos que parecia não se preocupar com a baixa nuvem
que se aproximava. Tudo indicava que não lhes atingiria ali onde
estavam. Quem é músico, quando ouve qualquer tema musical, a
primeira coisa que instintivamente faz, é identificar o tema, o
andamento, a marcação etc. Percebi o perfeito sincronismo entre
estas quatro espécimes que cantavam como se fossem regidos pela
batuta de um Maestro. Certamente o mesmo Maestro que rege todo o
Universo. Assim, a louvar o seu Criador, estão a cantar:
Maravilha!
Os quatro estão a cantar em movimento quaternário, em anacruse, ou
seja, começando a cantar, não no tempo forte do compasso (o 1º
tempo), mas o João-de-Barro entra no 2º tempo, a Joana faz a
marcação apenas nos tempos fortes. Bem-te-vi entra no 3º tempo
pontuando-o, enquanto que o vem-vem faz percussão nos 3º e 4º
tempos, numa sincronia tal que fico de queixo caído com tamanha
perfeição. Em que escola teriam estudado notação e teoria musical
para que dominassem a técnica de tal forma? Nenhuma, concluo, mas
creio que os professores primitivos os estudaram e com eles muito
aprenderam. O grande compositor e músico austríaco Johann Strauss,
enquanto passeava de carruagem pelos Bosques de Viena, ouvira o
trinado de um passarinho. Imediatamente pegou seu flautim e o imitou
naquele mesmo trinado. Isto se repetiu por várias vezes e quando
terminou o passeio, também acabara de compor sua famosa valsa Contos
dos Bosques de Viena.
Começou
a pingar e eu, superfeliz, já me preparava para criar coragem e
tomar aquele banho de chuva como nos tempos de criança, quando Vento
Sudeste sorri pra mim e diz: _ “Lamento te frustrar, Od, mas esta
chuva já tem dono e destino certos: Oeste de Goiás. Fica para a
próxima!”
ANDARILHO DO INFINITO
Foto: do Bing, site de busca
ANDARILHO DO INFINITO
Conto nublar #082
Acordei
com sede de escrever. Mas sobre o que escrever? Que tema escolher? Um
tema que as pessoas estivessem à procura e eu pudesse suprir essa
busca ou algo que meu ser quisesse expressar e talvez ou não
interessasse ao leitor? Resolvi segui minha intuição, embora não
tivesse ainda nenhuma ideia em mente.
Plum!
Sinaliza minha caixa de e-correio a chegada de uma nova mensagem.
Mensagem vinda de alguém muito especial:
De:
Miriam Malach Sheli*
Para:
Od L'Aremse
Assunto:
Espetáculo deslumbrante
Abro-a
imediatamente. Um arquivo revisado para publicação. Uma sugestão
irresistível: _ “Não deixe de olhar a tela do Bing. Está linda e
irresistível e mudará em instante à primeira badalada da
meia-noite.” _ Não me fiz de rogado e abri imediatamente a página
sugerida. Um espetáculo deslumbrante e inspirador. Não contei
conversa. Corri ao jardim em busca de meus Éolos Transportes. Por sorte, Sudeste passa por mim a 11Km/h e pergunta se
peixe quer mar:
_
Uma carona, Od?
_
Claro! Passas no momento certo, como sempre!
Em
instante estamos em cima, num grande tapete espelhado a refletir e, à
la calidoscópio, começo a andar sem rumo nem direção, sem
qualquer preocupação. Apenas quero desfrutar, milímetro por
milímetro cúbico, cada naco daquele
espaço. Nesse momento, uma curiosidade
me aguça o pensar. Confesso que antes, por várias vezes já havia
conversado com meus velcros e não soube responder, mas cá em cima,
tenho a oportunidade de desvendar o mistério. Se ao nível das
nuvens a temperatura é em torno de -40ºC, como consigo transitar
livremente sem congelar e morrer num centésimo de um triz? Ainda
pensando com volume máximo do meu pensamento,
SE dá-me uma ilógica resposta que se traduziu na mais perfeita
lucidez.
_
Muito simples, Od! Pelo mesmo motivo e razão que você veio,
está aqui como veio, chegou e se locomove. É através dessa lógica
ou ausência dela que ao entendimento se
aclararam as ideias. “Capice!”
_
Captei a mensagem, sábio Vento! É como se fôssemos quais crianças
e criássemos um “FDC”. “DJES!”
_
Pra que concorde ou não, esclareça o
que são “FDC”, “DJES”, por favor!
_
Pois, sim, Sudeste (SE)! “FDC” = Faz de Conta e
“DJES!” = Yes, sim.
_
Ah! Tá!
_
Aqui é como o meu sono REM. Como disse com propriedade a Ana
Flor do Lácio
em seu Soneto MEU REFÚGIO, MEU FADO: “... onde me
faço e refaço”. Aqui posso apertar o botão da descarga e
posso “blow down” (aliviar) todo o meu estresse. Cá
me sinto livre leve e capaz de criar e viajar pelo Universo e
explorar sem medo o Infinito tópico, até onde o Eterno permitir
tanger. Algo que não me aflige é não ter resposta por tudo.
Paradoxal? Pode parecer, pois estou sempre buscando e buscando
aprender e saber até o que não preciso. Talvez não, por enquanto,
mas no futuro, quem sabe? Mas me contento em saber só o essencial e
ir somente até onde posso chegar.
Daqui
de cima não existe utopia, pois já estamos dentro dela própria.
Assim, deixou de ser inacessível. Agora o jeito é não abusar da
onda para não perder a graça, mas fazer como devemos para com tudo
o que é bom e gostoso. Nunca ir ao extremo, mas sempre guardar um
pouquinho para servir de “courvert” na próxima
vez. Gostava tanto de doce de leite que era capaz de comer, comer,
comer sem me fartar. Resultado:
enjoei de tal forma que agora, basta a
metade de um naco, já me satisfaz plenamente. Aqui não há reservas
nem horizonte utópico, pois o limite é nossa imaginação.
Então,
voltando à paisagem paradisíaca, andei, andei e andei sem cansar. A
paz invadiu-me sem reserva minha mente e meu interior. À graça e à
misericórdia do Eterno, o Altíssimo,
rendi-me sem reserva e lavou-me totalmente a alma. Deixou-me renovado
o espírito, mais leve a flutuar. Quanta
beleza, essa paisagem conseguir extrair
e brotar como fontes, jorros aos borbotões!
Novamente encontro amigos de todas as épocas nesse passeio não mais
solo, porém na companhia de cada companheiro, amigos e irmãos. Como
é boa a paz que brota do interior!
A vontade que se tem é de sair a correr e soltar um esférico grito
de glória e louvor:
_
“EU SOU LIVRE! EU POSSO AMAR! EU POSSO PERDOAR”.
_
“Eita que o homem endoidou de vez! Coitado! Ficou Pinel! Vai pra
Jacarépaguá!” _ talvez dirão. E daí? A liberdade tem seu
preço. O maior dele foi a vida do Filho de D'us! Ele se doou
por nós. Loucura? Depende do prisma.
Para mim é real felicidade.
Parece
uma moviola. Só não dá para editar o filme. O filme de
minha vida. Tenho que vê-lo no copião,
com
direito a “falha nossa”, “make off” e tudo o
que se tem direito ou não. E ainda tem mais. Não existem
cenas deletadas. Todas estão ali. Pelo menos não são públicas e o
Altíssimo é a Ética em Pessoa. Se nos traz algo à tela
mental é simplesmente para tratamento e cura. Como é bom servir-Te,
Senhor! Felizes os que Te buscam e em Ti confiam acima de todas as
coisas!
Sem
brincadeira alguma, de repente, sinto flutuar qual pluma ao sabor do
vento. Todo o fardo que antes me esmagava agora é como se nunca
houvera carregado. Vou descendo, descendo lentamente até alcançar
uma folha de Angelim do Cerrado,
igualmente soprada pela brisa que me trazia até minha rede do
alpendre norte. Ali,
durmo um pouco mais até o cantar do primeiro galo.
(*) Miriam Malach Sheli* = do Hebraico - Maria, Meu Anjo;
Eolo = Vento
terça-feira, 1 de outubro de 2013
EU SÓ SOU PORQUE NÓS SOMOS
UBUNTU
EU
SÓ
SOU PORQUE NÓS SOMOS
Extrato
Pó Ético #033
Busquei por mundos a fundo
Busquei por mundos a fundo
pela
mais bela das rosas,
que
fosse das mais cheirosas,
de
sentimento fecundo,
pudesse
expressar profundo
o
que é viver, conviver.
Todos
ser um em comum.
Não
encontro em palácios,
nem
em ouro, tesouros,
em
berços, culturas,
nem
em grandes farturas,
em
ornatos, cimácios.
Vou
a ricos tão nobres,
mas
não encontro nada,
talvez
tu descobres,
no
fim da jornada
entre
sítios pobres.
Justo
entre nativos Xhosas,
Para
se ser de verdade
um
pelo outro nos dispomos,
melhor
do que sempre fomos.
Nunca
trate em falsidade!
Esta
é a flor das mais formosas.
Somos
um, tu, nós – Ubuntu!
Eu
só sou porque nós somos.
sábado, 14 de setembro de 2013
SÓ O AMARGOR QUE FICOU
SÓ O AMARGOR QUE FICOU
Extrato
Pó Ético #021:
Rimas(métrica):
ABBAACcDd(7) EFfGGE(5) HIHIH(5) JKLLKJMm(7) L(7)
“Foste
embora e um gosto amargo tomou conta da geral, como se fore
o fim de tudo...”
{Bosco
Esmeraldo}
ABBAACcDd(7)
Foste
embora e um gosto amargo,
tomou
conta qual se fosse
Salvador
da Pátria. Force
tanto
a barra,
bem a
largo,
Ser
como antes,
nunca
alargo.
De
ti gostava. Te amava...
Mas,
acabou-se...
Danou-se!
EFfGGE(5)
Mas
como adoçavas
dias
após dias,
logo
de manhã,
em
cada amanhã
vida
adocicavas...
H
I H I H (5)
Mas,
por algo em mim,
por
rivalidade(?),
talvez
fosse assim,
não
foi por maldade
aceso
o estopim.
JKLLKJMm(7)
Ah!
Quanto mais em ti penso,
encho
d'água minha boca.
Quem
quer tomar teu lugar
só
amarga e quer jugar*. (*abater)
Mas
que parada mais louca!
Parece
mais contrassenso.
Afável,
inigualável!
L(7)
Açúcar,
por que estragar?
*******************************
Meu desabafo por não mais poder
fazer as pazes como o açúcar.
*******************************
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